Avaliar os tipos de solo é um interesse antigo da ciência. Esse interesse em agrupar os solos em conjuntos distintos é justificado pela tentativa de prever certos comportamentos característicos diante das solicitações.

Os solos podem ser classificados de diversas formas, como pela presença ou não de matéria orgânica, pela granulometria (tamanho dos grãos), pela sua origem e evolução natural, pela estrutura,  pelo preenchimento dos vazios, etc.

Dentre as classificações do solo mais empregadas, a Classificação Unificada é a mais utilizada na Engenharia de Solos. Nessa classificação, o solo é analisado através da passagem por peneiras de diferentes aberturas para determinar o tamanho dos grãos e a quantidade predominante de cada tipo.

Nesse sistema, todos os solos são identificados por 2 letras, sendo a primeira, os 5 PRINCIPAIS tipos de solo e a segunda corresponde a dados complementares do solo. Dessa forma:

  • G: Pedregulho (Gravel)
  • S: Areia (Sand)
  • M: Silte (Silty)
  • C: Argila (Clay)
  • O: Orgânico (Organic)
  • W: Bem Graduado (Well-Graded)
  • P: Mal Graduado (Poorly-Graded)
  • H: Alta Compressibilidade (High Plasticity)
  • L: Baixa Compressibilidade (Low Plasticity)

Sendo assim, quando um solo é classificado como PW, pode-se concluir que se trata de uma Areia Mal Graduada.

Sabendo disso, já podemos falar acerca de cada tipo de solo. Então vamos lá!

TIPOS DE SOLO

1. Solos Granulares

No grupo dos solos granulares tempos duas classificações: AREIA e PEDREGULHO. Estes dois tipos são facilmente identificados por se tratarem de partículas de solo maiores.

Numa classificação mais precisa, se mais da metade do solo possuir grãos maiores que 0.075 mm (que é a abertura da peneira nº 200) e menores que 75 mm (7,5 cm), este é considerado um solo granular.

Porém, a grande pergunta é: Como você pode diferenciar entre areia e pedregulho?

Quais os tipos de solo - Pedregulho - Areia - Guia do Engenheiro

1.1 Pedregulho

O ponto de divisão entre um solo classificado como pedregulho e outro classificado como areia é a peneira nº 4 (abertura da peneira de 4,8 mm). Ou seja, quando mais de 50% do solo possui grãos maiores que 4,8 mm, este é considerado pedregulho, e quando mais de 50% dos grãos é menor que 4,8 mm, este passa a ser considerado areia.

1.2 Areia

Solo Arenoso - Tipos de Solo

Já sabemos que quando mais de 50% dos grãos é menor que 4,8 mm, o solo é considerado areia. Porém, as areias ainda podem ser classificadas em 3 tipos de acordo com sua textura (clique para abrir a descrição):

  • Areia Grossa

Quando o diâmetro máximo dos grãos está compreendido entre 2,0 mm e 4,80 mm.

  • Areia Média

Quando o diâmetro máximo dos grãos está compreendido entre 0,42 mm e 2,00 mm.

  • Areia Fina

Quando o diâmetro máximo dos grãos está compreendido entre 0,05 mm e 0,42 mm.

2. Solos Finos

Quando mais da metade do solo é constituído de grãos finos (menores que 75 mm), ele será classificado como Argila (C), Silte (M) ou Solo Orgânico (O).

2.1 Argila

Solo Argiloso - Tipos de Solo

Por ter grãos mais finos que a areia, a argila também possui “menos vazios” (espaço entre grãos) que os demais tipos de solo, o que faz com que a argila também seja menos permeável. Dessa forma, a água fica retida (ou apresenta passagem mais lenta) em seus vazios com muito mais facilidade que em solos granulados.

Possui em sua maioria, “grãos” (frações granulométricas) com diâmetro menor que 0,002 mm.

A argila apresenta grande coesão entre suas partículas, permitindo assim, taludes mais inclinados e quando secos, apresentam elevada resistência à desagregação. Por isso são utilizadas na confecção de tijolos e telhas cerâmicas.

Ao contrário da areia, seu índice de vazios é facilmente alterado pela compactação.

A resistência da argila, segundo C. S. Pinto (Curso Básico de Mecânica dos Solos, 2013) depende do índice de vazios em que ela se encontra. Por isso, o cuidado necessário com a aplicação de cargas sobre a argila, pois o adensamento pode provocar deformações e, consequentemente, deslocamento e ruína da estrutura.

2.2 Silte

Tipos de Solo - Silte - Guia do Engenheiro

Tem como propriedade empírica frações granulométricas com diâmetro entre 0,053 mm e 0,002 mm.

Pelo fato de seus “grãos” (frações granulométricas) serem maiores que o da argila, a coesão entre as suas partículas também passa a ser muito menor que a da argila.

A identificação do silte se torna fácil pois, quando seco, forma torrões facilmente desagregáveis pela pressão dos dedos, demonstrando assim, ser necessário cuidado com a estabilidade dos taludes quando feitos cortes no solo.

Dentre os tipos de solo, os com predominância de silte são muito mais erodíveis. Por suas baixas coesão e plasticidade, quando estradas são feitas sobre esse tipo de solo, em tempo seco liberam “pó fino” e em épocas de chuva formam “atoleiros”.

2.3 Solos Orgânicos

Tipos de Solo - Organico - Turfa - Guia do Engenheiro

Os solos orgânicos possuem quantidades consideráveis de matéria decorrente de decomposição de origem vegetal.

Normalmente são facilmente identificados pela cor escura e pelo “cheiro” característico.

Por serem de sedimentação recente, solos orgânicos possuem elevados índices de vazios, são bastante compressíveis e possuem baixa capacidade de suporte de cargas, o que os torna também problemáticos para a execução de fundações.

Em regiões litorâneas e nas várzeas de rios, a espessura das camadas de solo orgânico são elevadas (chegando até a 10 metros).  Em alguns locais, a decomposição de folhas, caules e outros materiais orgânicos formam a chamada turfa, que é um material com alta permeabilidade, bastante deformável, fazendo com que estruturas sofram recalques (deslocamentos) rapidamente.

Gostou do tema? Já sabe diferenciar entre os principais tipos de solo? Curta e deixe seu comentário abaixo.

Gostaria de ler sobre outro assunto? Comenta aí! 😉

Leia também: O que esperar do mercado da construção civil em 2018?


Jonatas Rosa

JONATAS ROSA é engenheiro civil, empresário, fundador do Guia do Engenheiro e é proprietário de empresa de construções e reformas em Goiânia-GO. Começou a empreender desde antes de se formar e através de suas iniciativas empreendedoras vem impactando positivamente milhares de pessoas. Certificado em Adwords Fundamentals e em Adwords Search (Rede de Pesquisa do Google) pelo Google Academy for Ads. É autor de artigos na temática do Marketing de Serviços. Acredita no poder de transformação do empreendedorismo e se dedica a compartilhar seu conhecimento acerca dos métodos que mais oferecem resultados com pouco investimento.

18 comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *